Minha Princesa

Ilustração: María Murnau y Helen Sotillo
Por Karen Elias

Preciso começar esse texto relatando uma cena, estava eu passando pelo shopping quando vi uma loja dessas que vendem roupas para crianças e um conjuntinho de menina com os dizeres “My princess”, ou seja, minha princesa.

Não há nada de errado comprar roupas que venham com tiarinhas de princesa desde que possamos criar nossas crianças com histórias reais e não como meninas indefesas a espera de um homem que as fará feliz.

Alguma vez, já se questionaram o que vem após o “felizes para sempre” nos filmes e desenhos das lindas histórias da Disney? Não sou contra filmes e muito menos desenhos desde que sejam compatíveis com a nossa realidade e possam mostrar o “depois”, as falas sobre a situação financeira da família, a educação dos filhos, as supostas amantes do príncipe ou o tédio da princesa com a sua vida que está longe de ser perfeita. Uma existência encaixotada no pobre raciocínio que afirma que toda a mulher tem que se realizar com filhos, marido, ser magra e exuberante aos 40, 50, 60 sem se dar conta que a passagem dos anos tem como objetivo mostrar a sabedoria advinda das diversas reflexões que a vida nos impõe.

Meu objetivo é ponderar sobre a educação tanto das mulheres quanto dos homens. Ainda hoje, mães educam suas filhas para servirem aos homens, para serem princesinhas cheias de mimimi que grande parte das vezes se tornam apáticas na busca de seus sonhos, de suas metas, até mesmo no posicionamento diferente perante a sociedade.

Falo isso porque conheço mulheres que até hoje estão à espera do príncipe, do homem que trará a sua felicidade, que resolverá seus problemas e se sentem extremamente frustradas por não terem nem ao menos um “sapo” para transformar no príncipe dos seus contos imaginários e sofrem anonimamente para estar à altura dos requisitos de uma sociedade que é muitas vezes cruel com as mulheres, que exige coisas absurdas e que não sabe se relacionar muito bem com a espontaneidade e as escolhas femininas.

Quando vemos cartas abertas de atrizes tão importantes no cenário mundial como Jennifer Aniston que menciona a sua insatisfação com a cobrança de ter que estar inserida em inúmeros padrões que a educação cultural determina e reflete que a questão é com relação ao respeito às escolhas de cada um: “Temos que decidir por nós mesmos o que é belo, quando se trata de nossos corpos. Essa decisão é nossa e só nossa.” E complemento afirmando que a decisão sempre será nossa, com relação a tudo na vida.

Abraços,

karen

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s