Dia das Crianças: Atenção ao consumismo infantil.

Nosso ritmo de vida está cada vez mais acelerado e com isso algumas questões de grande importância acabam por ser esquecidas e negligenciadas. Talvez por falta de tempo, talvez por compensação, talvez por culpa, desinteresse ou ignorância dos pais, algumas crianças crescem em meio a valores questionáveis. Esta não é uma publicação de crítica à “educação moderna” ou o “Manual da Renata Maria sobre a Verdadeira e Única Forma de Educar Corretamente o SEU Filho”. Não! Não tenho propriedade, experiência e arrogância suficientes para tal. É apenas um convite para reflexão.

Pelo meu interesse em moda e consumo sustentáveis estou sempre em busca de artigos sobre os assuntos e foi numa dessas buscas que encontrei o Instituto Alana – organização sem fins lucrativos que trabalha em várias frentes para encontrar caminhos transformadores que honrem as crianças – que desde 2005 vem estudando a fundo o tema do consumismo infantil e que em 2006 criou o Projeto Criança e Consumo. No portal do projeto é possível encontrar diversos artigos interessantes. Fica aqui o convite para acessá-lo.

“Nós nos tornamos uma sociedade que prioriza cada vez menos ensinar as crianças a prosperarem socialmente, intelectualmente e até espiritualmente, preferindo treiná-las para o consumo. A longo prazo, as consequências dessa evolução são assustadoras.”

Juliet Schor Juliet Schor, Born to Buy: The Commercialized Child and the New Consumer Culture (New York: Scribner, 2004), 13.

O consumismo infantil é um problema de todos, inclusive meu que não tenho filhos, essa ideologia já se tornou uma característica da nossa sociedade e desenfreadamente estimula o consumo despropositado. Sem um contraponto sólido dos pais, a criança introjeta que sua felicidade depende muito mais do que ela possui do que do afeto, carinho que dá e recebe. Aliás, acaba por entender que o amor é medido pelo tamanho do presente, pelo preço e não pelo valor que o acompanha. Além disso, as exigências de adequação atingem brutalmente as crianças e adolescentes formando adultos inseguros e frustrados. A corrida para se adequar ao ideal inalcançável do corpo perfeito, da aquisição de bens de consumo, entre outras coisas, “ancora-se na sensação de vazio, de inadequação, de vergonha de si. O objeto da vergonha varia, mas o sentimento é o mesmo”, conforme a psicanalista de crianças e adolescentes Ana Olmos. Essa vergonha de si gera ansiedade e medo.

Hoje é uma grande imprudência deixar o filho brincar até tarde na rua, andar de bicicleta com os amigos pelo bairro, correr pela vizinhança, mas não significa que temos que esquecer a inocência e a criatividade. Não levanto bandeiras para que seus filhos fiquem longe das televisões, da tecnologia, da publicidade… Peço que reflitam sobre isso e não esqueçam do contraponto, não esqueçam do amor, não deixem de encorajar suas crianças, de plantar a solidariedade, a responsabilidade e incentive-as a brincar, a SEREM CRIANÇAS. Deixem que inventem sadiamente suas obras de arte, suas histórias, seus personagens livres de preconceitos. Embarquem nas viagens e aventuras. SEJAM TAMBÉM CRIANÇAS!

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